O presidente da Crédito agrícola Seguros, João Pedro Borges, adianta ao SOL que a crise está a penalizar a exploração dos segmentos automóvel e de acidentes de trabalho. Mas os cortes da saúde no Orçamento do Estado aumentam a procura por protecção contra doenças.
Que balanço faz da actividade do sector segurador e em particular da CA Seguros?
Em 2013 tivemos o impacto de um temporal, em Janeiro, que nos provocou custos com sinistros de cerca de quatro milhões de euros, e que afectou também todo o mercado. No nosso caso, apesar de tudo, apresentaremos resultados positivos, se não houver eventos extremos até ao final do ano.
Como tem evoluído o ramo de acidentes de trabalho?
O contexto de crise e as dificuldades que se colocam às empresas têm sido um factor fundamental para a redução dos prémios neste ramo. A pressão das empresas para revisões de prémios e a procura de soluções mais baratas aumentaram fortemente. E a luta por quotas de mercado fez com que alguns agentes fossem longe de mais. Os prémios médios praticados actualmente, sobretudo no ramo de acidentes de trabalho, não podem ser justificados tecnicamente – são manifestamente insuficientes para cobrir os custos com sinistros e de funcionamento.
E o segmento de saúde?
A enorme tensão ao nível do Orçamento do Estado e a redução das dotações para o Serviço Nacional de Saúde têm contribuído para aumentar a sensibilidade e o interesse das pessoas pelos seguros de saúde. O aumento das taxas moderadoras também contribuiu para isso. Notamos que há uma maior procura, e que as pessoas estão particularmente interessadas em obter protecção para o risco de necessitarem de hospitalização, em casos graves. Mas temos também um crescimento nos seguros de saúde contratados pelas empresas para os colaboradores.
Como avalia o ramo automóvel?
O prémio médio no ramo automóvel tem-se reduzido fortemente e sentimos esse efeito na nossa carteira. Há dois factores a contribuir para isso. Por um lado, as dificuldades económicas das empresas e famílias levaram a uma redução das aquisições de veículos novos e a um envelhecimento do parque automóvel, pelo que os capitais seguros são cada vez mais baixos. Depois, agravaram-se as práticas de concorrência por parte de algumas seguradoras, com o objectivo de captar ou manter clientes a qualquer preço.
in: http://sol.sapo.pt/ | Texto de: Sara Ribeiro
